Juventudes no Encontro de CEBs

A jornada começou do jeito que caracteriza os encontros de CEBs há décadas: animação e alegria por se encontrar. A diferença visível era a alta presença de jovens que refletiram sobre a vida em Comunidade, mesmo que a participação deles no cotidiano das CEBs não seja tão alta, como ficou claro ao longo do dia. Mas essa foi a estratégia do Encontro Arquidiocesano: convidá-los a participarem desde a preparação até à realização, garantindo que o tema do próximo Intereclesial (CEBs caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho, a serviço do Reino), não seja apenas um tema a refletir, mas uma oportunidade para um diálogo entre gerações e a valorização do ‘jeito de ser Igreja’ na Arquidiocese. A harmonia, fraternidade, alegria e diálogo foram constante durante toda a jornada.

A chegada foi acontecendo aos poucos, caminhada individual ou com alguns conhecidos, cumprimentos rápidos e algumas apresentações marcaram o primeiro momento, mas ao finalizar o dia, a caminhada foi em grupo, juntos no mesmo propósito, saindo da casa do Propedêutico até à Catedral, cantando pelas ruas de Vitória e seguindo a imagem de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da Arquidiocese.

O ritual é o mesmo que sempre antecede os Intereclesiais: encontro arquidiocesano que prepara o regional, que por sua vez, aponta para o Intereclesial nacional. Desta vez o Intereclesial será em Cachoeiro de Itapemirim.

Sugestões

Os jovens estiveram desde a primeira hora da preparação do Encontro até ao último momento quando sugeriram o que as Comunidades devem fazer para eles se “sentirem membros das CEBs”: Acolher os jovens – Orientar quando necessário – Escutar e justificar com Documentos das Igreja quando a sugestão não for acolhida – Formar e dar apoio para liderar – Incluir os jovens nos Conselhos e coordenações – Atualizar a linguagem e presença nas mídias sociais – Escolher mediadores geracionais que facilitem o diálogo (reconhecem que às vezes os jovens não se abrem também)- Ter mais eventos arquidiocesanos com as juventudes, a exemplo da vigília jovem na Festa da Penha – Melhorar a catequese – Fortalecer os Círculos Bíblicos – Adequar horários que favoreçam aqueles que estudam e trabalham – Dar responsabilidade aos jovens e confiar na sua capacidade – Dar ao jovem oportunidade de crescer na fé e nas obras – Não deixar que se formem ‘panelinhas”, leia-se grupos fechados, porque deixam os grupos chatos e excludentes – Que os mais velhos não tenham medo de passar o bastão – Contar a história das Cebs na linguagem dos jovens e divulgar em toda a Arquidiocese. Estes são alguns desafios não só para os participantes, mas para que as CEBs acolham  todos os jovens em todos os momentos.

O roteiro

Os jovens conduziram o Encontro e receberam colaborações importantes. No início da manhã a palavra de dom Ângelo A. Mezzari, RCJ, arcebispo de Vitória, na sequência um painel composto por 4 jovens com experiências e vivências diversas (jovem trans, jovem negra, jovem seminarista e jovem que atua nas redes sociais); palestra sobre o significado de Cebs; palestra sobre Cebs e sinodalidade; palestra sobre protagonismo jovem. Depois trabalharam em grupos para conversarem sobre as realidades atuais, os desfios, os aprendizados do dia e concluíram com as sugestões, colocadas anteriormente neste texto. Tudo culminou com a caminhada até à Catedral e a missa presidida por dom Andherson Franklin, bispo auxiliar que acompanhou o Encontro durante o dia todo.

Dom Ângelo

O Arcebispo iniciou dizendo que é importante valorizar, motivar e refletir sobre as CEBs na caminhada da Igreja e que as novas gerações são fundamentais para mantê-las vivas e ativas. Depois referiu-se às Diretrizes Gerais da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aprovadas na última Assembleia Geral e que não só definem as Comunidades de Discípulos Missionários, mas apontam onde elas se fortalecem: catequese – liturgia – caridade.  Não é o nome que importa, “o modo de viver é o que define a CEB”, disse. Dom Ângelo antecipou o que dizem as Diretrizes sobre CEBs: A identidade é estar unida à Trindade. A missão se dá na hospitalidade e acolhimento. Por isso, as CEBs são lugares de acolhida, partilha e vivência comunitária e precisam estar de portas abertas para acolher a todos. A diversidade, pluralidade e fraternidade dos membros nas Cebs são terreno onde podem florescer relações de proximidade e reciprocidade e devem oferecer oportunidade para viver concretamente a Igreja sinodal”.

Painel

Os quatro jovens que participara, do painel com seus testemunhos de vida, mostraram um pouco das realidades para as quais as CEBs precisam estar preparadas para acolher. Luiza Giuberti falou sobre seu trabalho nas redes sociais da paróquia e definiu a internet e suas facilidades como uma ajuda e um perigo. Alertou sobre a inteligência artificial que pode sugerir que tudo é artificial; a ameaça da competição e do cancelamento, mas também as inúmeras possibilidades de explicar e mostrar coisas da vida real que não seriam conhecidas de outra forma. Jefferson, seminarista no último ano de Filosofia colocou o foco na sua compreensão de CEBs e desejo de se ordenar para caminhar junto, afirmando: “não quero ser um padre isolado, quero caminhar com as CEBs”. Ana Clara falou sobre o que é viver no território do bem, sendo negra e enfrentando uma faculdade. Falou sobre as violências que sofre por ser negra e mulher e deu exemplos de como é se sentir excluída quando o uber recusa a corrida porque não sobe no bairro, quando o ônubis não circula ou viocência nas abordagens policiais e aconselhou os jovens a celebrarem cada momento e cada conquista. Gabriel, um jovem trans, nascido numa família católica, mas que sofreu rejeição dentro de casa, deu testemunho de como foi marcado pela dedicação da avó na Pastoral da criança e como voltou a frequentar a Igreja e foi acolhido no grupo da PJ e depois na Pastoral Carcerária. Gabriel terminou com um apelo: que os trans sejam amados verdadeiramente.

O que são Cebs

O jovem Anthony começou sua exposição fazendo perguntas a partir das faixas etárias para confirmar o que todos já sabiam: os mais jovens não sabem o que são Cebs e não estão presentes na vida da Comunidade. Eles se reunem em outros grupos e movimentos, mas estão ausentes na rotina das comunidades. A primeira afirmação feita com segurança e firmeza foi: “Ser CEB transcende a estrutura, a participação na liturgia, ser CEB é um jeito de ser”. Relembrou que a CEB se fortalece nos Círculos Bíblicos, no conhecimento da Palavra de Deus, fez referência às Conferências Gerais Episcopais de Medellín, Puebla, Sto Domingo e Aparecida. Relembrou a criação das cebs no Espírito Santo (e em outras dioceses) a partir do Concílio Vaticano II e disse quais são os pilares das CEBs: Vida comunitária – Centralidade da Palavra – Opção pelos pobres – Diversidade de carismas e Liturgia ligada à vida.  Lembrou da ligação das Cebs com os intereclesiais, que surgem a partir do desejo de reunir as experiências que aconteciam pelo Brasil. Anthony reconheceu que os tempos mudaram e vivemos entre saudosismo e buscas novas, mas terminou indicando horizontes: Centralidade da vida comunitária – Igreja sinodal – Fé e vida no compromisso comunitário – Evangelização integral – Nutrir a espiritualidade libertadora – Igreja em saída missionária.

Cebs e sinodalidade

Irmã Sueli comparou o jeito de ser comunidade no Espírito Santo com outras dioceses. Lembrou que este foi o jeito encontrado para que o povo de Deus assumisse junto a caminhada da Igreja e a evangelização de forma plena. Em uma afirmação resgatou algo que dom Ângelo havia falado no início do Encontro: “As cEBs são uma experiência concreta de viver a sinodalidade”. De sua palestra destacamos as características da sinodalidade que estão presentes nas CEBs: Escuta da Palavra e da Vida – Escuta Comunitária – Proximidade com a vida concreta – Participação e protagonismo do povo – Fraternidade e proximidade – Valorização dos diferentes dons – Opção pelos pobres e compromisso com a transformação social – Discernimento comunitário – Missão compartilhada – Opção pelos pobres.

Protagonismo jovem

A jovem Carol falou sobre protagonismo juvenil e apontou as dificuldades e conflitos geracionais, mas destacou sobretudo a importância da participação da juventude não só na caminhada da Igreja, mas também em momento de conflitos civis. Segundo ela as Comunidade precisam acolher os jovens, ouvi-los sem julgar, confiar neles e acompanhá-los de perto.

Testemunho

Nas sugestões feitas nos grupos, apareceu o desejo dos jovens de conhecerem mais sobre as Cebs e se integrarem concretamente. Reinvindicaram espaço nas coordenações, mas também reconheceram falta de conhecimento sobre o ser Ceb. Para exemplificar temos o depoimento de Caio Gabriel Amorim dado a Giovanni Livio, membro da comissão organizadora do evento:

“Ao ouvir sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), percebo que elas são muito mais do que pequenos grupos de oração. Elas representam a presença viva de Deus nas comunidades, especialmente onde as pessoas mais precisam de acolhimento, escuta e evangelização.

Como jovem, acredito que as CEBs têm um papel importante na formação da fé e na construção de uma Igreja mais próxima das pessoas. Elas nos mostram que todos têm espaço e missão dentro da Igreja, valorizando os leigos, os ministérios e, principalmente, a participação da juventude.

Também entendo que as CEBs nos desafiam a sair da nossa zona de conforto e ir ao encontro das periferias, daqueles que muitas vezes se sentem esquecidos. Ser comunidade é viver a comunhão, criar laços de amizade, partilhar a fé e caminhar juntos como discípulos missionários de Jesus Cristo.

Por isso, vejo as CEBs como um sinal de esperança para a Igreja. Elas ajudam a fortalecer a vida comunitária, aproximam as pessoas de Deus e mostram que a evangelização acontece, acima de tudo, através do amor, da acolhida e do compromisso com o próximo”.

PAZ E PÃO - Rede de ações contra a fome

Vicariato para a Ação Social,
Política e Ecumênica
Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

Fale conosco

(27) 3025-6263

mitra.acaosocial@aves.org.br