O cobertor ficou mais curto

Com base em dados sobre a pobreza no Brasil, o professor Edebrande Cavalieri escreveu o artigo abaixo. O COBERTOR QUE ERA CURTO FICOU MAIS
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Com base em dados sobre a pobreza no Brasil, o professor Edebrande Cavalieri escreveu o artigo abaixo.

O COBERTOR QUE ERA CURTO FICOU MAIS CURTO AINDA

Edebrande Cavalieri

A Campanha Paz e Pão a cada dia se vê desafiada pelo crescimento da pobreza extrema em nosso meio. Na primeira semana de junho os noticiários do Espírito Santo noticiaram o crescimento assustador do número de pessoas em situação de vulnerabilidade social, passando em 2021 para 25%. São mais de 825 mil pessoas em nosso Estado que não tem comida, pois recebem no máximo R$ 409,00 por mês. Em âmbito nacional os dados são ainda mais preocupantes, pois mais de 27 milhões de pessoas estão abaixo da linha de pobreza no Brasil. Esse número equivale a 12,8% da população brasileiro. É preciso afirmar e registrar que o auxílio emergencial é muito importante, contudo tem efeito anestésico.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que nesse mesmo período há 221 mil pessoas em situação de rua. Padre Júlio Lancelotti que tem sido atacado por pessoas da elite política e econômica do Brasil nos diz que é claro que hoje, olhando apenas a cidade de São Paulo e todas as capitais do Brasil que a população de rua explodiu em todas as cidades. Estão em cada esquina, em frente a cada padaria ou restaurante, pedindo comida. Estão em situação de rua porque não encontram nenhuma possibilidade de sobreviver e de proteção social.

Na avaliação dos economistas a pandemia atingiu o presente e o futuro das classes D e E que compõem 51% dos lares no país, que perde mais emprego e renda e sofre com a inflação. Por outro lado, os principais indicadores do Produto Interno Bruto mostram que o Brasil já recuperou o nível de atividade econômica que tinha antes da pandemia. Ou seja, as elites sociais e financeiras hoje estão justificando cortes de despesas, retirada de direitos, alegando os males da pandemia. Hoje a Covid-19 serve para explorar ainda mais o povo brasileiro. Todas as pesquisas apontam que a crise sanitária provada pela pandemia com inflação, desemprego e déficit de aulas nas escolas afetaram mais a população de menor renda ampliando ainda mais a desigualdade, a distância entre ricos e pobres. Estamos produzindo um verdadeiro fosso social que põe em risco o futuro de nossa nação.

O Programa de Segurança Alimentar – Alimenta Brasil – do Governo Federal tinha no orçamento aprovado no Congresso em 2012 o equivalente a 586 milhões de reais. No ano passado foi reduzido a 58 milhões e nesse ano até o mês de maio apenas R$ 89.000,00. Esse programa permitia a compra de alimentos da agricultura familiar e doação para as pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional como pessoas carentes, creches e idosos em acolhimento. As cooperativas familiares estão sendo fechadas e os projetos assistenciais reduzindo seus atendimentos.

Segundo especialistas, esse programa era dos mais interessantes pois estimulava a produção familiar em pequenas propriedades que vendiam ao governo através das cooperativas e o mesmo governo reduzindo o número de famílias em situação de insegurança alimentar. Seria realmente uma grande parte para a solução da fome em nosso país. Essa situação agrava ainda mais a situação do campo, pois em 2012 estavam 128.804 famílias vendendo seus produtos ao governo federal caindo em 2020 para 31.196 famílias apenas. No ano passado, o Brasil chegou a apresentar na ONU esse programa como “importante estratégia para o combate à fome e à desnutrição”.

Porém, a realidade vem demonstrando o interesse em destruir todo o programa de produção familiar de alimentos e sua distribuição para minorar os efeitos devastadores da fome e desnutrição em nosso país. Para o deputado Heitor Schuch, presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, está em curso um desmonte das políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis.

Dados das pesquisas da ONU revelam que o Brasil ultrapassou a média mundial pela primeira vez nas estatísticas da fome. Os efeitos são devastadores, pois a fome atinge cada vez mais crianças ficando difícil calcular o estrago no seu desenvolvimento biológico e psíquico. Na verdade, estamos diante de uma situação paradoxal da fome que o Brasil bem alimentado insiste em não ver e não enfrentar.

Um dado ainda muito triste é que constituímos uma cultura de doação nas tragédias, mas não nas dificuldades. Sem um drama escancarado, até os recursos públicos minguam, não apenas as doações. Nossa sensibilidade está atenta ao drama, à tragédia, mas não consegue se sensibilizar com o percentual tão alto de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, como se isso não fosse a grande tragédia nacional.

Então cabe perguntar: o que fazer? As campanhas e ajudas são muito importantes, porém devem ser consideradas emergenciais. É preciso de um pacto federativo envolvendo as três esferas de governo com políticas de distribuição de renda, geração de empregos, e políticas públicas efetivas que atendam à saúde e à educação. Isso é fundamental para que o Brasil possa avançar, e não apenas alargar o cobertor, mas adquirir outros pois o frio na fome é cada vez mais intenso.

Por fim, é preciso que se mantenha todas as formas de mobilização contra a fome que nasceram em decorrência da pandemia, pois a vida não voltou à normalidade. Antes da pandemia a situação era grave e ficou agravada. Portanto, não podemos perder a motivação alcançada e os grupos que se organizaram. São exércitos disponíveis. Trata-se de uma guerra que não se vence com uma cesta básica ou um auxílio emergencial.

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